Razão para o estabelecimento da Biblioteca

Razão para o estabelecimento da Biblioteca

Sita no Largo de Santo Agostinho, n.º 3, o edifício da actual Biblioteca Sir Robert Ho Tung era originalmente propriedade de D. Carolina Antónia da Cunha . Após o seu esposo, então Governador de Macau, Pedro Alexandrino da Cunha falecer em 1850 , a sua esposa D. Carolina permaneceu em Macau, mudando-se posteriormente para esta mansão.

Edifício Sir Robert Ho Tung na década de 1930

De acordo com o Boletim Oficial de Macau n.o 5:984 de 6 de Abril de 1957, o Governo de Macau recebeu uma doacao de Sir Robert Ho Tung.

A Portaria n.º 6:020 publicada no Boletim Oficial de Macau, de 13 de Julho de 1957, define a natureza e a gestão da Biblioteca Sir Robert Ho Tung.

O Aviso publicado no Boletim Oficial de Macau, de 7 de Julho de 1958, anunciou a abertura ao público da Biblioteca Sir Robert Ho Tung no dia 1 de Agosto.

Sita no Largo de Santo Agostinho, n.º 3, o edifício da actual Biblioteca Sir Robert Ho Tung era originalmente propriedade de D. Carolina Antónia da Cunha1 . Após o seu esposo, então Governador de Macau Pedro Alexandrino da Cunha falecer em 18502, a D. Carolina permaneceu em Macau, mudando-se posteriormente para esta mansão.

De acordo com o registo predial, a propriedade foi registada pela primeira vez no dia 5 de Abril de 1894. No dia seguinte, a proprietária hipotecou a casa, estando, porém, indisponíveis dados específicos relativamente à data e ao valor  da compra. Após a morte de D. Carolina, o imóvel foi arrematado em hasta pública no dia 28 de Março de 1898, passando para as mãos de Chau Tung Sang. Posteriormente, o imóvel foi revendido duas vezes. Em 1911, foi adquirido por Miguel Rodrigues Morgado. Após a sua morte, a sua esposa Eugénia Marques Morgado herdou metade dos direitos sobre a propriedade, tendo adquirido a outra metade em 1917. No dia 27 de Fevereiro do ano seguinte, Sir Robert Ho Tung adquiriu o edifício por 16,000 patacas.

De 1941 a 1945, durante a ocupação de Hong Kong, Sir Robert Ho Tung viveu temporariamente nesta residência3.

No dia 26 de Abril de 1956, Sir Robert Ho Tung faleceu em Hong Kong, sendo o seu último desejo estabelecer uma biblioteca pública de livros chineses em Macau.

No dia 6 de Abril de 1957, o governo de Macau recebeu a doação de Sir Robert Ho Tung de acordo com o respectivo testamento lavrado a 4 de Julho de 1955, tendo a doação incluído o edifício sito no n.º 3 do Largo de Santo Agostinho e o montante de HK$25.000. Respeitando os termos do testamento, o edifício e o respectivo jardim foram convertidos numa biblioteca pública de livros chineses, passando a designar-se por “Biblioteca Sir Robert Ho Tung”. O montante acima referido foi aplicado na aquisição de livros chineses para integrar o acervo da Biblioteca4. No dia 13 de Julho do mesmo ano, o governador de Macau Pedro Correia de Barros, após uma auscultação de pareceres, ordenou que fosse estabelecida neste edifício uma biblioteca pública dedicada à recolha de livros chineses, com a designação “Biblioteca Sir Robert Ho Tung” e sob a égide do director da Biblioteca Nacional de Macau (actual chefe do Departamento de Gestão de Bibliotecas Públicas), o qual passaria a habitar gratuitamente o segundo andar do edifício. O regulamento da biblioteca viria a ser posteriormente anunciado5.

Nos termos do Aviso da Repartição Provincial dos Serviços de Administração Civil, de 7 de Julho de 1958: “... A Biblioteca Sir Robert Ho Tung, situada no Largo de Santo Agostinho, n.º 3, 1.º andar, estará aberta ao público, a partir do dia 1 do próximo mês de Agosto, às segundas, terças, quartas, quintas e sextas-feiras das 15 às 17 horas, e aos sábados das 11 às 13 horas...”

No dia 11 de Março de 1961, o governador de Macau Jaime Silvério Marques aprovou o "Regulamento da Biblioteca Sir Robert Ho Tung". 6

  • Esposa do Governador de Macau Pedro Alexandrino da Cunha.
  • Wu Zhiliang, Tang Kaijian, Jin Guoping, ed., 2009, Chronicle of  Macau [Vol. 4, Período final da Dinastia Qing (1845-1911)], p. 1659, Guangzhou: Guangdong People Publishing House.
  • Diário Matutino “Renascimento”, 23 de Dezembro de 1945
  • Portaria n.º 5:984
  • Portaria n.º 6:020
  • Portaria n.º 6:717